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QUALIDADE DE VIDA DO PACIENTE ADULTO
COM CÂNCER: A PSICOLOGIA NO CUIDADO DA ANSIEDADE E DA DEPRESSÃO
QUALITY OF LIFE OF ADULT CANCER PATIENTS: THE ROLE OF
PSYCHOLOGY IN MANAGING ANXIETY AND DEPRESSION
Ana Flávia Pascini Pereira1, Marcela Mansur Gomides Lima2.
1 Bacharel
em Psicologia pela Faculdade Dinâmica do Vale do Piranga, ORCID: https://orcid.org/0009-0008-2029-3089
2Docente
no Curso de Psicologia, Faculdade Dinâmica do Vale do Piranga, ORCID: https://orcid.org/0000-0003-3172-8320
*Autor correspondente: marcelamglima@gmail.com
.
Resumo: Este estudo teve como objetivo
geral: descrever o que pesquisas nacionais têm produzido sobre a qualidade de
vida de pacientes adultos oncológicos que sofrem de ansiedade e de depressão.
Os objetivos específicos foram: identificar, em pesquisas nacionais, os fatores
psíquicos evidenciados frente a hospitalização e, discutir a importância da
psicologia hospitalar no acompanhamento de pacientes oncológicos com ansiedade
e depressão e práticas da psicologia hospitalar evidenciadas nas pesquisas
nacionais. Trata-se de uma revisão integrativa de literatura com abordagens de
autores que discursaram e publicaram sobre o tema. Os descritores utilizados
para a coleta de dados foram: Oncologia, Psicoterapia, Ansiedade, Depressão,
Qualidade de vida (Oncology, Psychotherapy,
Anxiety, Depression, Quality of life).
Selecionou-se estudos no idioma português, publicados de 2019 a 2024.
Inicialmente encontrou-se 28 artigos e, após critérios de exclusão e inclusão o
trabalho se desenvolveu com 09 artigos. Após a leitura dos artigos,
encontraram-se os seguintes resultados: o psicólogo auxilia o paciente no
processo de adoecimento, buscando minimizar o sofrimento provocado pela
hospitalização, proporcionando assistência aos familiares e a equipe de
serviço; a psicologia hospitalar está ligada à subjetividade e sofrimento do
indivíduo, atuando com contribuições científicas, educativas e profissionais,
oferecendo ao paciente oncológico hospitalizado uma assistência de maior
qualidade que combata a ansiedade e depressão; as técnicas de observação,
escuta, aconselhamento e psicoterapia breve sobre os efeitos do adoecimento e
tratamento devem ser desenvolvidas com pacientes, seus familiares e com a equipe
multiprofissional de hospitais para promoção da qualidade de vida dos
pacientes. O psicólogo deve proporcionar escuta do paciente nas dimensões
física, psíquica e social com foco no sujeito e não em sua patologia.
Palavras-Chave: Oncologia; Psicoterapia;
Ansiedade; Depressão e Qualidade de vida.
Abstract: This study's general
objective was to describe the findings of national research on the quality of
life of adult cancer patients suffering from anxiety and depression. The
specific objectives were to identify, in national studies, the psychological
factors highlighted during hospitalization and to discuss the importance of
hospital psychology in the monitoring of cancer patients with anxiety and
depression, as well as hospital psychology practices highlighted in national
studies. This is an integrative literature review, focusing on the work of
authors who have spoken and published on the topic. The descriptors used for
data collection were: Oncology, Psychotherapy,
Anxiety, Depression, Quality of life. Studies in Portuguese, published from
2019 to 2024, were selected. Initially, 28 articles were found, and after
applying exclusion and inclusion criteria, the study was developed with 09
articles. After reading the selected articles, the following findings were
found: the psychologist assists the patient in the illness process, seeking to
minimize the suffering caused by hospitalization, providing assistance to
family members and the service team; hospital psychology is linked to the
individual's subjectivity and suffering, providing scientific, educational, and
professional contributions, offering hospitalized cancer patients
higher-quality care that combats anxiety and depression; Techniques of
observation, listening, counseling, and brief psychotherapy regarding the
effects of illness and treatment should be developed with patients, their
families, and the multidisciplinary hospital team to promote patients' quality
of life. The psychologist should listen to the patient's physical,
psychological, and social aspects, focusing on the individual rather than the pathology.
Keywords: Oncology; Psychotherapy; Anxiety; Depression; Quality of life.
INTRODUÇÃO
O
câncer é uma das doenças de maior prevalência e incidência em todo o mundo,
sendo considerado a segunda causa de morte no Brasil, ficando atrás somente das
doenças cardiorrespiratórias (Campos; Rodrigues; Castanho,
2021). De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA, 2022), estima-se 704
mil novos casos da patologia no Brasil para cada ano no período de 2023 a 2025,
com uma estimativa de 21 tipos de câncer.
O
INCA (2016) destaca que pacientes oncológicos enfrentam mudanças na autoimagem;
perda do controle sobre a vida; medo da dependência e do abandono; estigmas;
raiva; isolamento e morte. Quando hospitalizados, esses pacientes se encontram
em situação de sofrimento, de angústia, de dor e precisam ser escutados, bem
como seus familiares (Campos; Rodrigues; Castanho,
2021).
As
equipes de saúde trabalham com a fragilidade dos pacientes e o contato diário
com a angústia, a dor, e o sofrimento deles diante da possibilidade de morte
(Campos; Rodrigues; Castanho, 2021). Além disso, a
presença do diagnóstico, o sofrimento e necessidade de cuidado acarretam
mudanças na organização das famílias (Campos; Rodrigues; Castanho,
2021).
Desta
forma, compreende-se a importância da psicologia hospitalar (PH) e de sua
contribuição para o paciente, a família e os profissionais de saúde no
enfrentamento dos desafios trazidos pela doença. O profissional da psicologia,
para lidar com questões de saúde das pessoas diagnosticadas com câncer,
necessita de uma formação complementar, pois, deve conhecer e considerar os
múltiplos fatores envolvidos no processo de adoecimento, como as perdas, os
medos e as mudanças na rotina o que pode favorecer o surgimento de transtornos
mentais (Campos; Rodrigues; Castanho, 2021).
Andrade
(2023) enfatiza que o psicólogo oferece apoio e esclarece as dúvidas dos
pacientes, do diagnóstico e tratamento, além de proporcionar um atendimento aos
profissionais para que eles consigam lidar melhor com a pressão diante dos
casos. Os profissionais de psicologia precisam ter conhecimentos para
acompanhar com eficiência os pacientes.
Diante
dos dados acima, o presente estudo buscou responder ao seguinte questionamento:
O que os estudos nacionais revelam sobre a qualidade de vida de pacientes
oncológicos que sofrem de ansiedade e depressão?
Observa-se
a relação entre qualidade de vida relacionada à saúde e sintomas ansiosos e
depressivos de pacientes oncológicos e familiares (Soares, 2022). A escolha
pela temática se dá, uma vez que os hospitais sempre contarão com pacientes
oncológicos hospitalizados sujeitos a enfrentar a ansiedade e/ou depressão
(Machado et al., 2024).
Diante
da complexidade de ações, compreende-se a necessidade de que os profissionais
da psicologia ampliem seus conhecimentos para que possam orientar sua conduta,
além de contribuir para a concretização do seu espaço de atuação. Esses
profissionais devem conhecer intervenções e orientações direcionadas aos
processos de saúde/doença, além das variáveis que influenciam o atual estado do
paciente (Queiroz et al., 2020).
O
trabalho teve como objetivo geral: descrever o que pesquisas nacionais têm
produzido sobre a qualidade de vida de pacientes adultos oncológicos que sofrem
de ansiedade e depressão. Os objetivos específicos foram: I - identificar, em
pesquisas nacionais, os fatores psíquicos evidenciados frente a hospitalização
e, II - discutir a importância da psicologia hospitalar no acompanhamento de
pacientes oncológicos com ansiedade e depressão e práticas da psicologia
hospitalar evidenciadas nas pesquisas nacionais.
Diante
do sofrimento, da angústia e das mudanças nas vidas dos pacientes e de seus
cuidadores, são necessários estudos sobre intervenções da psicologia e do papel
do psicólogo com pacientes oncológicos hospitalizados que necessitam de ajuda
para lidarem com o processo de adoecimento. Essas intervenções devem contribuir
para promoção da qualidade de vida.
Além
disso, o estudo poderá servir para referencial teórico de futuros trabalhos
acadêmicos e de embasamento para profissionais da psicologia que atuam em
ambientes hospitalares.
2 REFERENCIAL TEÓRICO
O referencial teórico tem como
finalidade apresentar os principais conceitos que subsidiam a compreensão do
estudo em questão. Para isso, a escrita deste referencial foi dividida em três
temáticas: a psicologia hospitalar, o sofrimento do paciente oncológico e
intervenções propostas.
A Psicologia Hospitalar (PH)
Quando hospitalizado,
o paciente passa por sentimentos como tristeza, aceitação e ansiedade (Bezerra;
Siqueira, 2021). Devido à desorganização de suas vidas provocadas pelas
mudanças e sentimentos advindos da situação vivenciada, os pacientes e seus
familiares precisam ser escutados e orientados por equipe multidisciplinar,
entre eles o psicólogo. É justamente neste campo que se insere a Psicologia
Hospitalar (Ribeiro, 2018).
Ribeiro (2018) define
que a PH faz parte de um conjunto de contribuições científicas, educativas e
profissionais que oferece ao paciente hospitalizado uma assistência de maior
qualidade. Ainda de acordo com o autor, a PH está ligada à subjetividade e
sofrimento do indivíduo e, por isso, o profissional psicólogo auxilia o
paciente no tratamento, buscando minimizar o sofrimento provocado pela
hospitalização. O objetivo da PH não é convencer o paciente de que ele é um
doente, nem o forçar a concordar com o diagnóstico médico, mas sim, escutá-lo,
esperando que ele fale de si, da doença, do que considera relevante (Sassani; Sanches, 2022).
Ao trabalhar com o
paciente enfermo, o psicólogo lida com o sofrimento físico e psíquico do
indivíduo, devendo compreender o sujeito em sua integralidade, entendendo os
conflitos e sofrimentos provocados pela hospitalização, auxiliando-o no
enfrentamento da doença, num trabalho diário e contínuo (Ribeiro, 2018).
O Conselho Federal de
Psicologia (CFP, 2001), por meio da Resolução nº 02/2001, destaca que o
psicólogo hospitalar trabalha as relações médico/paciente, paciente/família e
paciente/paciente, podendo atuar em ambulatórios, unidades de terapia
intensiva, pronto socorro e enfermaria e utilizar diferentes técnicas como:
atendimento psicoterapêutico grupal ou individual; grupos de psicoprofilaxia; psicomotricidade; avaliação diagnóstica;
psicodiagnóstico; consultoria e interconsultoria.
Ribeiro (2018) sugere
que a intervenção pode ser feita por meio da psicoterapia breve (área da
psicologia que se concentra em um problema específico do paciente) ou
psicoterapia de emergência, apoiando paciente no momento de crise provocado
pela doença e hospitalização.
No contexto da
oncologia, compreender o adoecimento apenas sob a perspectiva biológica
mostra-se insuficiente diante da complexidade emocional vivenciada pelos
pacientes. Nesse sentido Alfredo Simonetti (2004),
contribuiu ao propor uma visão ampliada do processo de adoecer. O conceito de
“mapa da doença”, no qual o adoecimento é entendido como uma experiência
subjetiva, marcada por sentimentos, significados e formas singulares de
enfrentamento. Essa perspectiva mostra-se relevante em pacientes oncológicos,
que frequentemente vivenciam emoções intensas, como medo da morte, ansiedade
diante do tratamento e sintomas depressivos relacionados às mudanças em sua
rotina e identidade.
De acordo com Simonetti (2004), a doença ultrapassa o corpo físico,
afetando os aspectos psicológicos e sociais do sujeito. No caso do câncer, esse
impacto pode ser ainda mais significativo, uma vez que o diagnóstico e o
tratamento impõem rupturas importantes na vida do paciente, exigindo adaptações
constantes. Assim, a presença do psicólogo no ambiente hospitalar oferece
escuta qualificada, acolhimento e suporte emocional, favorecendo a elaboração
do sofrimento psíquico.
Além disso, ao
considerar o paciente como um sujeito integral, a Psicologia Hospitalar
contribui para a promoção da qualidade de vida, mesmo diante de condições
adversas. A atuação psicológica possibilita o desenvolvimento de estratégias de
enfrentamento mais adaptativas, auxiliando na redução de sintomas de ansiedade
e depressão, frequentemente associados ao adoecimento oncológico.
Simonetti (2004) reforça a importância de um
cuidado humanizado e interdisciplinar, no qual o paciente é compreendido em sua
totalidade, e não apenas a partir de sua condição clínica.
O Sofrimento do paciente oncológico
O câncer é considerado um
problema de saúde pública. Essa patologia provoca um crescimento desordenado
das células que invadem tecidos e órgãos, que podem migrar para outras partes
do corpo (Pires et al., 2019). O diagnóstico da patologia pode acarretar
um significativo impacto na vida dos pacientes, afetando a saúde física e
mental. Dentre os impactos, destacam-se a ansiedade e a depressão, que pela
alta prevalência, trazem consequências negativas na saúde e na qualidade de
vida dos pacientes (Machado et al., 2024).
Destaca-se que o câncer é uma das
doenças que mais causam a morte e, por isso, políticas de saúde de atenção ao
câncer visam a garantir o acesso universal aos cuidados paliativos, oferecidos
a pacientes e seus familiares desde o diagnóstico da doença (Santos et al.,
2021). A Organização Mundial da Saúde (OMS, 2020) destaca que por meio de
cuidados paliativos, melhora-se a qualidade de vida dos pacientes, a partir da
identificação precoce, avaliação e tratamento de problemas físicos, psíquicos,
sociais e espirituais, com a tomada de ações para prevenção e alívio do
sofrimento e manutenção da dignidade desses indivíduos.
De acordo com Galvão, Calheiros e
Crispim (2021), devido ao adoecimento, sintomas depressivos, ansiosos e
estressores podem ser percebidos. Os pacientes podem ter reações diante da
perda do estado saudável e das expectativas relacionadas ao desenvolvimento da
doença, o que pode impor um sofrimento inapropriado, refletindo negativamente
nos efeitos desejados do tratamento.
Conforme a Décima Primeira Edição
do Manual de Classificação Internacional de Doenças (CID-11, 2024), para o
diagnóstico de transtornos depressivos tem-se humor depressivo ou perda de
prazer acompanhado por outros sintomas cognitivos, comportamentais, afetivos,
volitivos ou neurovegetativos que afetam significativamente a capacidade de
funcionamento do indivíduo.
Já a ansiedade trata-se de
apreensão ou antecipação de um perigo ou infortúnio futuro, acompanhadas por um
sentimento de preocupação, angústia ou sintomas somáticos de tensão (CID 11,
2024).
Machado et al. (2024),
definem os transtornos depressivos e os transtornos ansiosos como distúrbios
psiquiátricos caracterizados por diferentes manifestações clínicas que afetam
significativamente os aspectos emocionais e psicossociais. A depressão se
manifesta por meio de tristeza profunda e perda de interesse em atividades
consideradas prazerosas e, os transtornos ansiosos por meio de preocupações
excessivas, respostas fisiológicas de ansiedade e medos intensos.
Importante destacar que o
atendimento a pacientes com câncer, seus familiares e equipes de saúde envolve
características específicas que só se tornam claras no atendimento a este tipo
de doente. Uma característica é a extrema fragilidade em que os pacientes se encontram
diante do diagnóstico e das mudanças que acontecem na família, o que provoca
situações complexas a serem abordadas pelo psicólogo.
Além dos familiares e pacientes,
as equipes de saúde tornam-se pacientes em potencial ao atenderem pacientes
oncológicos. Isso devido ao estresse provocado pelo contato direto com a
angústia, dor e sofrimento dos pacientes (Campos; Rodrigues; Castanho,
2021).
Ainda segundo Campos, Rodrigues e
Castanho (2021), o profissional de Psico-Oncologia,
ao prestar assistência a um paciente com câncer ou a seus familiares, deve
dominar alguns conteúdos que não são obrigatórios em outros tipos de
atendimento como: alguns tipos de câncer, efeitos colaterais dos tratamentos,
como no caso de uma quimioterapia.
Intervenções propostas
Compreende-se que, no aspecto
psicossocial, os pacientes com câncer apresentam várias mudanças nas emoções,
níveis elevados de ansiedade e depressão (Medeiros, 2019). O psicólogo deve
avaliar e intervir por meio das técnicas de observação, escuta, aconselhamento
e psicoterapia breve sobre os efeitos do adoecimento e tratamento na realidade
psíquica, destacando aspectos psicológicos implicados no processo do adoecer no
momento da internação e no ambulatório, proporcionando um olhar mais voltado à
subjetividade do indivíduo hospitalizado (Angerami,
2017).
Lima (2019) apontou que entre as
atividades desenvolvidas têm-se as seguintes: função de coordenação -
acompanhamento de funcionários do hospital; de ajuda à adaptação - recuperação
do paciente internado; Interconsulta: consultas e, gestão de recursos humanos -
aprimora os serviços dos profissionais da organização.
O que se percebe é que a PH não
se resume a apenas levar o modelo de trabalho psicoterápico que é desenvolvido
em clínicas e hospitais. É necessária a criação de teorias e técnicas voltadas
especificamente para pacientes hospitalizados, que apresentam questões
psicológicas associadas ao processo do adoecimento.
Desta forma, compreende-se que,
no contexto hospitalar, o psicólogo deve: buscar estabelecer um contato mais
próximo com outras profissões, uma vez que a saúde é uma prática
interdisciplinar e os profissionais das muitas e diferentes áreas de atuação,
agregar-se-ão em equipes de saúde. Todos os profissionais da equipe, juntos,
podem encontrar métodos adequados que propiciem uma prática integradora,
enfocando a totalidade dos aspectos interrelacionados à saúde e à doença
(Ribeiro, 2018).
Pode-se perceber que, em suas
demandas, o psicólogo hospitalar deve possuir sólidos conhecimentos em
psicologia da saúde, psicologia do desenvolvimento e psicopatologia para
realizar intervenções adequadas, especialmente em situações de perdas e lutos
(CFP, 2019).
Angerami (2017)
enfatiza que a atuação do psicólogo visa o restabelecimento do estado de saúde
do paciente ou o controle dos sintomas que comprometem seu bem-estar.
Entretanto, ao ingressar em contextos hospitalares com predominância do modelo
biomédico, os psicólogos enfrentam desafios significativos devido a limites
institucionais que podem restringir sua prática.
METODOLOGIA
A presente pesquisa é
considerada descritiva, uma vez que descreve as características de uma
população ou fenômeno. De acordo com Moretti (2020), a realidade é descrita
sempre de forma imparcial, com olhar científico e sem a interferência de quem
está realizando o trabalho.
Trata-se de uma
revisão integrativa de literatura com abordagens de autores que discursaram e
publicaram sobre o tema. De acordo com Gil (2010), a pesquisa bibliográfica é
elaborada com base em material já publicado visando analisar posições diversas
em relação a determinado assunto.
O material a ser
utilizado foi selecionado no período de janeiro a março de 2025. Foi feita uma
pesquisa de artigos publicados nos bancos de dados da US National
Library of Medicine National
Institutes of Health (PubMed), Literatura Latino-Americana e Caribe em Ciências da Saúde (Lilacs) e Scientific Electronic Library Online (SciELO). Os descritores
foram: Oncologia, Psicoterapia, Ansiedade, Depressão, Qualidade de vida (Oncology, Psychotherapy,
Anxiety, Depression, Quality of life).
Foram utilizados termos específicos, separadamente: oncologia e ansiedade;
oncologia e depressão; oncologia e psicoterapia, oncologia e psico-oncologia e, oncologia e qualidade de vida (Oncology and anxiety; oncology and depression; oncology and psychotherapy;
oncology and quality of life). Utilizou o operador booleano E, em inglês e
português para busca de acordo com as descritas em saúde.
Como critérios de
inclusão foram considerados estudos disponíveis gratuitamente na íntegra no
idioma português, publicados de 2019 a 2024, uma vez que a psicologia
hospitalar se constitui como uma área de especialidade da Psicologia, em
crescente expansão junto aos estabelecimentos de saúde públicos e privados. No
ano de 2019 foi lançada a Referência Técnica CFP-MG que estabeleceu parâmetros
e recomendações para a sistematização da atuação da (o) psicóloga (o)
hospitalar. Esta área é de fundamental importância junto a pacientes
oncológicos, seus familiares e a equipe que atua em hospitais. Como critérios
de exclusão foram desconsiderados artigos que não atenderam aos objetivos do
trabalho, bem como os duplicados.
Inicialmente foram
encontrados 28 artigos, 09 na base de dados Pubmed e
08 na Lilacs e 11 na Scielo.
Segundo os critérios de inclusão e exclusão, utilizaram-se dez estudos que
atenderam aos objetivos propostos, conforme exposto na Figura 1.
Figura 01: Fluxograma com demonstrativo de busca
dos estudos nas bases de dados, segundo os critérios de inclusão e exclusão
delineados na metodologia.
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Fonte: As autoras (2025).
Conforme apresentado
na Figura 1, a busca inicial resultou em 28 artigos, sendo 11 na base SciELO,
08 na Lilacs e 09 na PubMed.
Após a remoção de estudos duplicados, e considerando os critérios de inclusão, permaneceram
19 artigos para a etapa de triagem. Todos os artigos tiveram seus títulos e
resumos analisados, sendo excluídos 7 estudos por não atenderem aos objetivos
da pesquisa, especialmente por não abordarem de forma direta a relação entre
oncologia, ansiedade, depressão, psicoterapia e qualidade de vida.
Dessa forma, 12
artigos foram selecionados para leitura na íntegra, compondo a etapa de
elegibilidade. Após a análise completa desses estudos, 3 foram excluídos por
não apresentarem alinhamento consistente com a temática proposta, seja por
abordarem o tema de forma superficial ou por não contemplarem os aspectos
psicológicos centrais deste estudo.
Ao final do processo,
09 artigos atenderam integralmente aos critérios estabelecidos e foram
incluídos na análise qualitativa, garantindo maior rigor metodológico e
pertinência científica à pesquisa.
Para avaliar as
publicações selecionadas utilizou-se o Microsoft Excel. Este instrumento
contemplou os seguintes itens: autor e ano da publicação, objetivos,
metodologia e os principais resultados. Essas informações foram organizadas em
um quadro para a síntese das informações dos periódicos e discussão das
categorias de conteúdo.
Para interpretação
das discussões encontradas foi utilizada a análise de conteúdo proposta por
Bardin (2011).
RESULTADOS
E DISCUSSÃO
Tendo em vista a
metodologia proposta foi possível encontrar os artigos descritos no Quadro 1 a
seguir.
Quadro 1: Demonstrativo das Referências
Pesquisadas
|
Autor/Ano |
Objetivo |
Metodologia |
|
MEDEIROS (2019) |
Desvelar
a percepção do sentido de vida em pacientes com câncer. |
Entrevista
semiestruturada de caráter fenomenológica, junto com 19 pacientes com câncer,
usuários do Ambulatório de Oncologia do Hospital Universitário Antônio Pedro
(HUAP), de Niterói, RJ |
|
PIRES et al. (2019) |
Analisar
a percepção de pessoas com doença oncológica, em um hospital de grande porte
de Salvador-Bahia, acerca da inserção do psicólogo nas equipes interprofissionais
e as repercussões de suas funções na produção de cuidado |
Estudo
de campo com abordagem qualitativa exploratória |
|
LADEIRA; GRINCENKOV
(2020) |
Avaliar
ansiedade, depressão e qualidade de vida (QV) em pacientes com câncer
avançado e os respectivos cuidadores, investigando a associação entre esses
fatores |
Questionário
sociodemográfico e clínico |
|
BEZERRA;
SIQUEIRA (2021) |
Analisar
como o processo de adoecimento e hospitalização é vivenciado por pacientes
internados na clínica médica, sendo esta um dos
primeiros cenários de prática do referido programa de residência |
Entrevista
semiestruturada e contou-se com a participação voluntária de cinco pacientes,
os quais tiveram seus discursos gravados e analisados através da análise de
conteúdo de Bardin |
|
CAMPOS;
RODRIGUES; CASTANHO (2021) |
Divulgar
a Psico-Oncologia como uma área de conhecimento que
ampliou as possibilidades de atendimento ao portador de câncer seu familiar e
equipe de saúde |
Artigo de revisão narrativa |
|
CORDEIRO;
SANTOS; ORLANDI (2021) |
Verificar
a relação entre qualidade de vida relacionada à saúde e sintomas ansiosos e
depressivos de pacientes oncológicos em quimioterapia e seus familiares |
Estudo
correlacional, transversal, quantitativo 130 pacientes e 130 familiares.
Aplicaram-se os instrumentos caracterização sociodemográfica e clínica |
|
GALVÃO;
CALHEIROS CRISPIM (2021) |
Verificar
associações entre as variáveis sociodemográficas e clínicas, sintomas de
depressão, ansiedade e estresse, e sua relação com a qualidade de vida em
pacientes com câncer |
Questionário
sociodemográfico e clínico, a Escala de Depressão, Ansiedade e Estresse
(DASS-21) e a Escala de Qualidade de Vida (EORTC-QLQ C30) com 202 pessoas
atendidas em instituto para tratamento oncológico na cidade de Porto Velho,
Rondônia |
|
MACHADO et al. (2024) |
Identificar
sintomas de ansiedade e depressão em pacientes com câncer e associação com os
aspectos clínicos e adesão ao tratamento oncológico |
Estudo
transversal, com amostra de conveniência, realizado entre setembro de 2020 e
maio de 2021, incluindo pacientes com diagnóstico de câncer de todas as
regiões do Brasil |
|
MELLO et al. (2024) |
Avaliar
a prevalência de depressão, ansiedade, dor e seu impacto na qualidade de vida
de pacientes oncológicos em cuidados paliativos |
Estudo
clínico prospectivo com 70 pacientes com câncer em cuidados paliativos
atendidos no setor de oncologia de um hospital de Minas Gerais |
Fonte: As autoras (2025).
Todos
os estudos analisados apontaram a relevância da atuação da psicologia
hospitalar no cuidado integral de pacientes oncológicos no enfrentamento do
sofrimento emocional provocado pela doença e pelo processo de hospitalização e
no cuidado com seus familiares que passam por momentos de desestruturação,
precisando de apoio e orientação nas diferentes fases da doença.
Os
artigos analisados foram realizados diretamente com pacientes oncológicos que
apresentavam sintomas de ansiedade e depressão durante o tratamento, ou com
suas famílias. Esses estudos desenvolveram-se por meio de entrevistas
semiestruturadas; questionários; estudos transversais e estudo clínico
prospectivo, avaliando os impactos de intervenções da psicologia desenvolvidas
e destacando que pacientes oncológicos e seus familiares enfrentam a ansiedade
e depressão no diagnóstico, durante o tratamento e em fases avançadas da
doença.
A
análise dos estudos incluídos nesta revisão evidenciou que os achados convergem,
de forma consistente, com a literatura já consolidada acerca dos impactos
psicológicos do adoecimento oncológico. De modo geral, os estudos apontam para
uma elevada prevalência de sintomas de ansiedade, depressão e prejuízos na
qualidade de vida de pacientes com câncer, especialmente durante o processo de
diagnóstico e tratamento.
Para a
apresentação dos conteúdos emergentes nos artigos os resultados foram divididos
em: manifestação de sintomas depressivos e ansiosos, contribuições da
psicologia hospitalar e intervenções a serem desenvolvidas.
Manifestação
de sintomas depressivos e ansiosos
O
câncer, além dos efeitos fisiológicos, traz deformidades, mutilações e dor.
Isso provoca grande impacto psicológico e sentimentos como raiva, medo,
ansiedade e angústias. Entende-se que a doença acarreta mudanças físicas e
fisiológicas que são experimentadas nos níveis sociais, emocionais, culturais e
espirituais (Pires et al., 2019).
Estudos
como o de Machado et al. (2024) destacaram que pacientes oncológicos com
sintomas de ansiedade e depressão podem apresentar maior resistência para a
adesão ao tratamento oncológico. Os autores explicaram que a ansiedade está
associada ao sintoma de fadiga resultante do tratamento e a depressão
relaciona-se com o tempo de diagnóstico do câncer, a astenia e o local de
tratamento. Além disso, esse estudo apontou a necessidade de serviços de apoio
psicossocial destinados aos pacientes, possibilitando espaços necessários para
a redução de sintomas de ansiedade e depressão, contribuindo com a qualidade de
vida dos pacientes
Nessa
mesma linha, Medeiros (2019) pontua que em pacientes com câncer, a angústia
pode se manifestar em diversas formas, incluindo sintomas de depressão, perda
do bem-estar espiritual, angústia existencial e desejo de uma morte próxima.
Segundo o autor, os sentimentos negativos, a frustração, e a sensação de uma
vida sem perspectiva são comuns em quem não consegue se distanciar da situação
de sofrimento. Nesse cenário, o cuidado do paciente com câncer deve ser
integral, envolvendo a compreensão desse homem, com necessidades e desejos,
exigindo uma série de processos adaptativos em toda sua complexidade
dimensional. Isso corrobora a importância do psicólogo hospitalar no
acompanhamento do tratamento de pacientes oncológicos.
Estudos
como o de Galvão, Calheiros e Crispim (2021) também apontaram a alta prevalência
de depressão, ansiedade e estresse nos pacientes oncológicos, fatores que podem
acarretar complicações no estado de saúde dos pacientes, sendo necessária a
inserção da saúde emocional no planejamento dos cuidados dispensados a essa
população para respostas mais efetivas.
Pires et
al. (2019) afirmaram que o diagnóstico de câncer traz consequências negativas
tanto para o sujeito adoecido como para a família que passam a considerar a
doença oncológica como uma possibilidade de mutilação e morte, com uma sobrecarga
emocional que pode levar a distúrbios emocionais como a depressão ou
transtornos da ansiedade.
Contribuições
da psicologia hospitalar
Conforme
Bezerra e Siqueira (2021), o medo e a ansiedade estão relacionados à
preocupação com resultados de exames, diagnósticos e o desejo por alta
hospitalar, por isso, o acompanhamento psicológico no período de
hospitalização, contribui para minimização de alguns sintomas. Já o estudo de
Mello et al. (2024) apontou a dor como parâmetro que teve influência na
piora da qualidade de vida e no aumento da prevalência de ansiedade e
depressão, mostrando assim a importância de considerar a dor ao estabelecer o
tratamento do paciente.
Existe
relação entre a percepção da qualidade de vida relacionada à saúde e presença
de sintomas depressivos e ansiosos em pacientes e familiares. Neste contexto, o
estudo de Campos, Rodrigues e Castanho (2021) divulgou a psico-oncologia
como uma área de conhecimento que ampliou as possibilidades de atendimento ao
paciente diagnosticado com câncer, aos familiares e às equipes de saúde. Para
os autores, a psico-oncologia enfatiza os fatores
biopsicossociais no atendimento a esse tipo de paciente, buscando compreender
os processos de adoecimento, o desenvolvimento da patologia e suas implicações
na vida familiar dos pacientes.
O
trabalho de Ladeira e Grincenkov (2020) também
destacou a importância da atuação da Psicologia junto aos pacientes com câncer
e os respectivos familiares cuidadores. As autoras destacaram a necessidade de
implementação de estratégias efetivas para assegurar níveis satisfatórios de
saúde mental de todos os envolvidos e sugeriram um adequado manejo dos sintomas
ansiosos e depressivos, bem como estratégias para a diminuição da sobrecarga do
cuidador.
Machado
et al. (2024) destacam a necessidade de incorporar serviços de apoio
psicossocial na rede de atenção oncológica, bem como a implementação de
intervenções acessíveis e de fácil aplicação, e que podem contribuir para a
redução dos sintomas de ansiedade em pacientes oncológicos, como orientações
psicológicas breves, escuta qualificada e suporte emocional.
Mais
além, Bezerra e Siqueira (2021) compreendem que não só o trabalho do psicólogo
é relevante, mas o de toda a equipe da qual ele faz parte. A atuação em equipe
deve ser interprofissional e articulada, ampliando, assim, as possibilidades de
intervenção no tratamento dos pacientes.
Nessa
mesma linha, Pires et al. (2019) reconheceram a importância da
psicologia hospitalar e do psicólogo como um membro da equipe multidisciplinar,
mas alguns usuários entrevistados ainda possuíam dificuldades em diferenciar o
psicólogo dos outros profissionais da equipe. Mesmo assim o estudo destacou a
importância do psicólogo no auxílio para minimizar o sofrimento atrelado ao adoecimento
e a prevenção de possíveis agravos emocionais.
Intervenções
a serem desenvolvidas
Diante
dos conteúdos emergentes, o estudo de Campos, Rodrigues e Castanho (2021)
destacou que o atendimento ao paciente com diagnóstico de câncer, deve contar
com técnicas integrativas, reconstrutivas e de suporte. Essas técnicas devem
ser psicopedagógicas, de esclarecimento, aconselhamento e de acolhimento, uma
vez que o paciente passa por uma perda de suas certezas e referenciais
existenciais, manifestando sentimentos de medo, ansiedade, tristeza e culpa.
Sugerem, portanto, uma intervenção marcada pela postura compreensiva e
acolhedora, buscando os mecanismos defensivos e de coping
(respostas neuroendócrinas que ocorrem no indivíduo estressado, com o objetivo
de restabelecer o equilíbrio do organismo), por parte do paciente, protegendo-o
de experiências emocionais negativas.
Ladeira
e Grincenkov (2020) também apontaram a necessidade do
treinamento de habilidades, as intervenções psicopedagógicas e o aconselhamento
terapêutico como intervenções a serem desenvolvidas com pacientes oncológicos,
seus familiares e cuidadores. Isso colabora com o estudo de Pires et al.
(2019), que destaca que a utilização das tecnologias leves, como a escuta,
acolhimento e vinculação, por parte dos psicólogos, que confronta a
predominância das tecnologias duras utilizadas por outros profissionais de
saúde.
Associando
com estudo internacional de Chen et al. (2024) que aponta diferentes
intervenções psicoterapêuticas podem contribuir para a redução de sintomas
emocionais em pacientes com câncer gastrointestinal. Entre as estratégias
identificadas destacam-se a terapia cognitivo-comportamental (abordagem
psicoterapêutica baseada na relação entre pensamentos, emoções e
comportamentos), a terapia de relaxamento (conjunto de práticas voltadas à
redução da tensão física e psicológica) e a terapia de reminiscência (técnica
que estimula a evocação de memórias autobiográficas). Os resultados da
meta-análise indicaram que essas intervenções apresentaram efeitos superiores
aos cuidados de enfermagem convencionais na redução dos níveis de ansiedade e
depressão nesses pacientes.
Por
outro lado, compreende-se que para o tratamento adequado de pacientes
oncológicos, a avaliação psicológica é fundamental. Machado et al.
(2024) utilizaram instrumentos padronizados para mensuração de sintomas de
ansiedade e depressão, bem como para avaliação da adesão ao tratamento
oncológico. No estudo, foram aplicadas escalas específicas e realizada análise
de regressão logística multivariada, a fim de identificar associações entre
variáveis clínicas, adesão ao tratamento e sintomas psicológicos em pacientes
com câncer.
CONCLUSÕES
O presente estudo
teve como objetivo descrever o que pesquisas nacionais tem produzido sobre a
qualidade de vida de pacientes adultos oncológicos que sofrem de ansiedade e
depressão, por meio da investigação do papel do psicólogo no tratamento e na
promoção da qualidade de vida de pacientes adultos oncológicos que sofrem de
ansiedade e depressão, identificou-se o sofrimento psíquico dos pacientes
frente à hospitalização, discutindo a importância da psicologia hospitalar no
acompanhamento de pacientes oncológicos.
Constatou-se que
pacientes adultos oncológicos, quando hospitalizados, podem desenvolver
ansiedade e depressão devido ao medo, à preocupação com resultados de exames,
diagnósticos e o desejo por alta hospitalar, diminuindo, assim, sua qualidade
de vida. Reconheceu-se, portanto, o relevante papel do psicólogo diante dos
desafios enfrentados pelos pacientes.
Os trabalhos
analisados apontaram que a presença do psicólogo após o diagnóstico e durante o
tratamento contribui significativamente para o acolhimento do sofrimento
emocional, para a escuta das angústias e para o fortalecimento da autonomia e
do sentido da vida dos pacientes. Como intervenções a serem desenvolvidas o
estudo apontou as técnicas de observação, escuta, aconselhamento e psicoterapia
breve sobre os efeitos do adoecimento e tratamento. Estas devem ser
desenvolvidas com pacientes, seus familiares e com a equipe multiprofissional
dos hospitais para promoção da qualidade de vida dos pacientes.
Concluiu-se que a
prática do psicólogo, no ambiente hospitalar, deve proporcionar escuta do
paciente em suas dimensões física, psíquica e social com foco no sujeito e não
em sua patologia. Diante da necessidade de acompanhamento psicológico pós-alta,
faz-se necessário o adequado encaminhamento para a Rede de Atenção à Saúde ou
Rede Privada.
Reconheceu-se a relevância deste estudo, uma
vez que ele pode servir de orientação para a comunidade científica, de
referencial para futuros trabalhos acadêmicos e de embasamento teórico para
profissionais de saúde que atuam diretamente com pacientes oncológicos
hospitalizados.
Observa-se que os
conteúdos emergentes convergem entre si e com o referencial teórico adotado, no
entanto, alguns estudos apresentam caráter mais descritivo, indicando a necessidade
de maior aprofundamento em pesquisas que investiguem intervenções psicológicas
específicas e seus efeitos a longo prazo na qualidade de vida de pacientes
oncológicos. Os achados desta revisão reforçam que a atenção à saúde mental é
um componente essencial no cuidado ao paciente com câncer, sendo indispensável
a atuação do psicólogo hospitalar na promoção do bem-estar, no enfrentamento do
adoecimento e na melhoria da qualidade de vida.
Sugerem-se novos
estudos sobre intervenções que possam diminuir os prejuízos trazidos pelos
transtornos psicológicos de pacientes e seus familiares e viabilizar
estratégias que assegurem a qualidade de vida dos mesmos durante todas as fases
da doença.
O estudo apresenta
limitações dentre elas, destaca-se que a busca foi realizada em apenas três
bases de dados, o que pode ter ocasionado a não inclusão de estudos relevantes
indexados em outras bases. Outro aspecto refere-se ao recorte temporal adotado
(2019 a 2024), que, embora justificado pela atualização da área, pode ter
excluído produções importantes anteriores.
A proposta de inclusão de pesquisas internacionais, pode contribuir para
aprofundar a compreensão sobre a atuação do psicólogo no contexto oncológico e
suas contribuições para a qualidade de vida dos pacientes.
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.
Declaração
de Interesse
Os autores declaram não haver nenhum conflito de interesse.
Financiamento
Financiamento
próprio.
Colaboração
entre autores
O presente artigo
foi escrito Ana Flávia e Marcela projetado e
concluído no Trabalho de
Conclusão de Curso do curso de Psicologia da
Faculdade Dinâmica do Vale
do Piranga (FADIP). Ambos os autores foram responsáveis pela redação da
parte dissertativa do artigo.