Caixa de Texto: CIÊNCIA DINÂMICA – Revista Científica Eletrônica
FACULDADE DINÂMICA DO VALE DO PIRANGA
28ª Edição 2026    |     Ano XVII - e252406 |     ISSN – 2176-6509
DOI: https://doi.org/10.70406/2176-6509.2026.380 

1º semestre de 2026

qu


QUALIDADE DE VIDA DO PACIENTE ADULTO COM CÂNCER: A PSICOLOGIA NO CUIDADO DA ANSIEDADE E DA DEPRESSÃO

QUALITY OF LIFE OF ADULT CANCER PATIENTS: THE ROLE OF PSYCHOLOGY IN MANAGING ANXIETY AND DEPRESSION

Ana Flávia Pascini Pereira1, Marcela Mansur Gomides Lima2.

1 Bacharel em Psicologia pela Faculdade Dinâmica do Vale do Piranga, ORCID: https://orcid.org/0009-0008-2029-3089

2Docente no Curso de Psicologia, Faculdade Dinâmica do Vale do Piranga, ORCID: https://orcid.org/0000-0003-3172-8320
*Autor correspondente:
marcelamglima@gmail.com .

 

 

Resumo: Este estudo teve como objetivo geral: descrever o que pesquisas nacionais têm produzido sobre a qualidade de vida de pacientes adultos oncológicos que sofrem de ansiedade e de depressão. Os objetivos específicos foram: identificar, em pesquisas nacionais, os fatores psíquicos evidenciados frente a hospitalização e, discutir a importância da psicologia hospitalar no acompanhamento de pacientes oncológicos com ansiedade e depressão e práticas da psicologia hospitalar evidenciadas nas pesquisas nacionais. Trata-se de uma revisão integrativa de literatura com abordagens de autores que discursaram e publicaram sobre o tema. Os descritores utilizados para a coleta de dados foram: Oncologia, Psicoterapia, Ansiedade, Depressão, Qualidade de vida (Oncology, Psychotherapy, Anxiety, Depression, Quality of life). Selecionou-se estudos no idioma português, publicados de 2019 a 2024. Inicialmente encontrou-se 28 artigos e, após critérios de exclusão e inclusão o trabalho se desenvolveu com 09 artigos. Após a leitura dos artigos, encontraram-se os seguintes resultados: o psicólogo auxilia o paciente no processo de adoecimento, buscando minimizar o sofrimento provocado pela hospitalização, proporcionando assistência aos familiares e a equipe de serviço; a psicologia hospitalar está ligada à subjetividade e sofrimento do indivíduo, atuando com contribuições científicas, educativas e profissionais, oferecendo ao paciente oncológico hospitalizado uma assistência de maior qualidade que combata a ansiedade e depressão; as técnicas de observação, escuta, aconselhamento e psicoterapia breve sobre os efeitos do adoecimento e tratamento devem ser desenvolvidas com pacientes, seus familiares e com a equipe multiprofissional de hospitais para promoção da qualidade de vida dos pacientes. O psicólogo deve proporcionar escuta do paciente nas dimensões física, psíquica e social com foco no sujeito e não em sua patologia.

Palavras-Chave: Oncologia; Psicoterapia; Ansiedade; Depressão e Qualidade de vida.

 

Abstract: This study's general objective was to describe the findings of national research on the quality of life of adult cancer patients suffering from anxiety and depression. The specific objectives were to identify, in national studies, the psychological factors highlighted during hospitalization and to discuss the importance of hospital psychology in the monitoring of cancer patients with anxiety and depression, as well as hospital psychology practices highlighted in national studies. This is an integrative literature review, focusing on the work of authors who have spoken and published on the topic. The descriptors used for data collection were: Oncology, Psychotherapy, Anxiety, Depression, Quality of life. Studies in Portuguese, published from 2019 to 2024, were selected. Initially, 28 articles were found, and after applying exclusion and inclusion criteria, the study was developed with 09 articles. After reading the selected articles, the following findings were found: the psychologist assists the patient in the illness process, seeking to minimize the suffering caused by hospitalization, providing assistance to family members and the service team; hospital psychology is linked to the individual's subjectivity and suffering, providing scientific, educational, and professional contributions, offering hospitalized cancer patients higher-quality care that combats anxiety and depression; Techniques of observation, listening, counseling, and brief psychotherapy regarding the effects of illness and treatment should be developed with patients, their families, and the multidisciplinary hospital team to promote patients' quality of life. The psychologist should listen to the patient's physical, psychological, and social aspects, focusing on the individual rather than the pathology.

Keywords: Oncology; Psychotherapy; Anxiety; Depression; Quality of life.


                                                                                                                        

INTRODUÇÃO

 

O câncer é uma das doenças de maior prevalência e incidência em todo o mundo, sendo considerado a segunda causa de morte no Brasil, ficando atrás somente das doenças cardiorrespiratórias (Campos; Rodrigues; Castanho, 2021). De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA, 2022), estima-se 704 mil novos casos da patologia no Brasil para cada ano no período de 2023 a 2025, com uma estimativa de 21 tipos de câncer.

O INCA (2016) destaca que pacientes oncológicos enfrentam mudanças na autoimagem; perda do controle sobre a vida; medo da dependência e do abandono; estigmas; raiva; isolamento e morte. Quando hospitalizados, esses pacientes se encontram em situação de sofrimento, de angústia, de dor e precisam ser escutados, bem como seus familiares (Campos; Rodrigues; Castanho, 2021).

As equipes de saúde trabalham com a fragilidade dos pacientes e o contato diário com a angústia, a dor, e o sofrimento deles diante da possibilidade de morte (Campos; Rodrigues; Castanho, 2021). Além disso, a presença do diagnóstico, o sofrimento e necessidade de cuidado acarretam mudanças na organização das famílias (Campos; Rodrigues; Castanho, 2021).

Desta forma, compreende-se a importância da psicologia hospitalar (PH) e de sua contribuição para o paciente, a família e os profissionais de saúde no enfrentamento dos desafios trazidos pela doença. O profissional da psicologia, para lidar com questões de saúde das pessoas diagnosticadas com câncer, necessita de uma formação complementar, pois, deve conhecer e considerar os múltiplos fatores envolvidos no processo de adoecimento, como as perdas, os medos e as mudanças na rotina o que pode favorecer o surgimento de transtornos mentais (Campos; Rodrigues; Castanho, 2021).

Andrade (2023) enfatiza que o psicólogo oferece apoio e esclarece as dúvidas dos pacientes, do diagnóstico e tratamento, além de proporcionar um atendimento aos profissionais para que eles consigam lidar melhor com a pressão diante dos casos. Os profissionais de psicologia precisam ter conhecimentos para acompanhar com eficiência os pacientes.

Diante dos dados acima, o presente estudo buscou responder ao seguinte questionamento: O que os estudos nacionais revelam sobre a qualidade de vida de pacientes oncológicos que sofrem de ansiedade e depressão?

Observa-se a relação entre qualidade de vida relacionada à saúde e sintomas ansiosos e depressivos de pacientes oncológicos e familiares (Soares, 2022). A escolha pela temática se dá, uma vez que os hospitais sempre contarão com pacientes oncológicos hospitalizados sujeitos a enfrentar a ansiedade e/ou depressão (Machado et al., 2024). 

Diante da complexidade de ações, compreende-se a necessidade de que os profissionais da psicologia ampliem seus conhecimentos para que possam orientar sua conduta, além de contribuir para a concretização do seu espaço de atuação. Esses profissionais devem conhecer intervenções e orientações direcionadas aos processos de saúde/doença, além das variáveis que influenciam o atual estado do paciente (Queiroz et al., 2020).

O trabalho teve como objetivo geral: descrever o que pesquisas nacionais têm produzido sobre a qualidade de vida de pacientes adultos oncológicos que sofrem de ansiedade e depressão. Os objetivos específicos foram: I - identificar, em pesquisas nacionais, os fatores psíquicos evidenciados frente a hospitalização e, II - discutir a importância da psicologia hospitalar no acompanhamento de pacientes oncológicos com ansiedade e depressão e práticas da psicologia hospitalar evidenciadas nas pesquisas nacionais.

Diante do sofrimento, da angústia e das mudanças nas vidas dos pacientes e de seus cuidadores, são necessários estudos sobre intervenções da psicologia e do papel do psicólogo com pacientes oncológicos hospitalizados que necessitam de ajuda para lidarem com o processo de adoecimento. Essas intervenções devem contribuir para promoção da qualidade de vida.

Além disso, o estudo poderá servir para referencial teórico de futuros trabalhos acadêmicos e de embasamento para profissionais da psicologia que atuam em ambientes hospitalares.

 

2 REFERENCIAL TEÓRICO

O referencial teórico tem como finalidade apresentar os principais conceitos que subsidiam a compreensão do estudo em questão. Para isso, a escrita deste referencial foi dividida em três temáticas: a psicologia hospitalar, o sofrimento do paciente oncológico e intervenções propostas.

 

A Psicologia Hospitalar (PH)

 

Quando hospitalizado, o paciente passa por sentimentos como tristeza, aceitação e ansiedade (Bezerra; Siqueira, 2021). Devido à desorganização de suas vidas provocadas pelas mudanças e sentimentos advindos da situação vivenciada, os pacientes e seus familiares precisam ser escutados e orientados por equipe multidisciplinar, entre eles o psicólogo. É justamente neste campo que se insere a Psicologia Hospitalar (Ribeiro, 2018).

Ribeiro (2018) define que a PH faz parte de um conjunto de contribuições científicas, educativas e profissionais que oferece ao paciente hospitalizado uma assistência de maior qualidade. Ainda de acordo com o autor, a PH está ligada à subjetividade e sofrimento do indivíduo e, por isso, o profissional psicólogo auxilia o paciente no tratamento, buscando minimizar o sofrimento provocado pela hospitalização. O objetivo da PH não é convencer o paciente de que ele é um doente, nem o forçar a concordar com o diagnóstico médico, mas sim, escutá-lo, esperando que ele fale de si, da doença, do que considera relevante (Sassani; Sanches, 2022).

Ao trabalhar com o paciente enfermo, o psicólogo lida com o sofrimento físico e psíquico do indivíduo, devendo compreender o sujeito em sua integralidade, entendendo os conflitos e sofrimentos provocados pela hospitalização, auxiliando-o no enfrentamento da doença, num trabalho diário e contínuo (Ribeiro, 2018).

O Conselho Federal de Psicologia (CFP, 2001), por meio da Resolução nº 02/2001, destaca que o psicólogo hospitalar trabalha as relações médico/paciente, paciente/família e paciente/paciente, podendo atuar em ambulatórios, unidades de terapia intensiva, pronto socorro e enfermaria e utilizar diferentes técnicas como: atendimento psicoterapêutico grupal ou individual; grupos de psicoprofilaxia; psicomotricidade; avaliação diagnóstica; psicodiagnóstico; consultoria e interconsultoria.

Ribeiro (2018) sugere que a intervenção pode ser feita por meio da psicoterapia breve (área da psicologia que se concentra em um problema específico do paciente) ou psicoterapia de emergência, apoiando paciente no momento de crise provocado pela doença e hospitalização.

No contexto da oncologia, compreender o adoecimento apenas sob a perspectiva biológica mostra-se insuficiente diante da complexidade emocional vivenciada pelos pacientes. Nesse sentido Alfredo Simonetti (2004), contribuiu ao propor uma visão ampliada do processo de adoecer. O conceito de “mapa da doença”, no qual o adoecimento é entendido como uma experiência subjetiva, marcada por sentimentos, significados e formas singulares de enfrentamento. Essa perspectiva mostra-se relevante em pacientes oncológicos, que frequentemente vivenciam emoções intensas, como medo da morte, ansiedade diante do tratamento e sintomas depressivos relacionados às mudanças em sua rotina e identidade.

De acordo com Simonetti (2004), a doença ultrapassa o corpo físico, afetando os aspectos psicológicos e sociais do sujeito. No caso do câncer, esse impacto pode ser ainda mais significativo, uma vez que o diagnóstico e o tratamento impõem rupturas importantes na vida do paciente, exigindo adaptações constantes. Assim, a presença do psicólogo no ambiente hospitalar oferece escuta qualificada, acolhimento e suporte emocional, favorecendo a elaboração do sofrimento psíquico.

Além disso, ao considerar o paciente como um sujeito integral, a Psicologia Hospitalar contribui para a promoção da qualidade de vida, mesmo diante de condições adversas. A atuação psicológica possibilita o desenvolvimento de estratégias de enfrentamento mais adaptativas, auxiliando na redução de sintomas de ansiedade e depressão, frequentemente associados ao adoecimento oncológico.

Simonetti (2004) reforça a importância de um cuidado humanizado e interdisciplinar, no qual o paciente é compreendido em sua totalidade, e não apenas a partir de sua condição clínica.

 

O Sofrimento do paciente oncológico

 

O câncer é considerado um problema de saúde pública. Essa patologia provoca um crescimento desordenado das células que invadem tecidos e órgãos, que podem migrar para outras partes do corpo (Pires et al., 2019). O diagnóstico da patologia pode acarretar um significativo impacto na vida dos pacientes, afetando a saúde física e mental. Dentre os impactos, destacam-se a ansiedade e a depressão, que pela alta prevalência, trazem consequências negativas na saúde e na qualidade de vida dos pacientes (Machado et al., 2024).

Destaca-se que o câncer é uma das doenças que mais causam a morte e, por isso, políticas de saúde de atenção ao câncer visam a garantir o acesso universal aos cuidados paliativos, oferecidos a pacientes e seus familiares desde o diagnóstico da doença (Santos et al., 2021). A Organização Mundial da Saúde (OMS, 2020) destaca que por meio de cuidados paliativos, melhora-se a qualidade de vida dos pacientes, a partir da identificação precoce, avaliação e tratamento de problemas físicos, psíquicos, sociais e espirituais, com a tomada de ações para prevenção e alívio do sofrimento e manutenção da dignidade desses indivíduos.

De acordo com Galvão, Calheiros e Crispim (2021), devido ao adoecimento, sintomas depressivos, ansiosos e estressores podem ser percebidos. Os pacientes podem ter reações diante da perda do estado saudável e das expectativas relacionadas ao desenvolvimento da doença, o que pode impor um sofrimento inapropriado, refletindo negativamente nos efeitos desejados do tratamento.

Conforme a Décima Primeira Edição do Manual de Classificação Internacional de Doenças (CID-11, 2024), para o diagnóstico de transtornos depressivos tem-se humor depressivo ou perda de prazer acompanhado por outros sintomas cognitivos, comportamentais, afetivos, volitivos ou neurovegetativos que afetam significativamente a capacidade de funcionamento do indivíduo.

Já a ansiedade trata-se de apreensão ou antecipação de um perigo ou infortúnio futuro, acompanhadas por um sentimento de preocupação, angústia ou sintomas somáticos de tensão (CID 11, 2024).

Machado et al. (2024), definem os transtornos depressivos e os transtornos ansiosos como distúrbios psiquiátricos caracterizados por diferentes manifestações clínicas que afetam significativamente os aspectos emocionais e psicossociais. A depressão se manifesta por meio de tristeza profunda e perda de interesse em atividades consideradas prazerosas e, os transtornos ansiosos por meio de preocupações excessivas, respostas fisiológicas de ansiedade e medos intensos.

Importante destacar que o atendimento a pacientes com câncer, seus familiares e equipes de saúde envolve características específicas que só se tornam claras no atendimento a este tipo de doente. Uma característica é a extrema fragilidade em que os pacientes se encontram diante do diagnóstico e das mudanças que acontecem na família, o que provoca situações complexas a serem abordadas pelo psicólogo.

Além dos familiares e pacientes, as equipes de saúde tornam-se pacientes em potencial ao atenderem pacientes oncológicos. Isso devido ao estresse provocado pelo contato direto com a angústia, dor e sofrimento dos pacientes (Campos; Rodrigues; Castanho, 2021).

Ainda segundo Campos, Rodrigues e Castanho (2021), o profissional de Psico-Oncologia, ao prestar assistência a um paciente com câncer ou a seus familiares, deve dominar alguns conteúdos que não são obrigatórios em outros tipos de atendimento como: alguns tipos de câncer, efeitos colaterais dos tratamentos, como no caso de uma quimioterapia.

 

Intervenções propostas

 

Compreende-se que, no aspecto psicossocial, os pacientes com câncer apresentam várias mudanças nas emoções, níveis elevados de ansiedade e depressão (Medeiros, 2019). O psicólogo deve avaliar e intervir por meio das técnicas de observação, escuta, aconselhamento e psicoterapia breve sobre os efeitos do adoecimento e tratamento na realidade psíquica, destacando aspectos psicológicos implicados no processo do adoecer no momento da internação e no ambulatório, proporcionando um olhar mais voltado à subjetividade do indivíduo hospitalizado (Angerami, 2017).

Lima (2019) apontou que entre as atividades desenvolvidas têm-se as seguintes: função de coordenação - acompanhamento de funcionários do hospital; de ajuda à adaptação - recuperação do paciente internado; Interconsulta: consultas e, gestão de recursos humanos - aprimora os serviços dos profissionais da organização.

O que se percebe é que a PH não se resume a apenas levar o modelo de trabalho psicoterápico que é desenvolvido em clínicas e hospitais. É necessária a criação de teorias e técnicas voltadas especificamente para pacientes hospitalizados, que apresentam questões psicológicas associadas ao processo do adoecimento.

Desta forma, compreende-se que, no contexto hospitalar, o psicólogo deve: buscar estabelecer um contato mais próximo com outras profissões, uma vez que a saúde é uma prática interdisciplinar e os profissionais das muitas e diferentes áreas de atuação, agregar-se-ão em equipes de saúde. Todos os profissionais da equipe, juntos, podem encontrar métodos adequados que propiciem uma prática integradora, enfocando a totalidade dos aspectos interrelacionados à saúde e à doença (Ribeiro, 2018).

Pode-se perceber que, em suas demandas, o psicólogo hospitalar deve possuir sólidos conhecimentos em psicologia da saúde, psicologia do desenvolvimento e psicopatologia para realizar intervenções adequadas, especialmente em situações de perdas e lutos (CFP, 2019).

Angerami (2017) enfatiza que a atuação do psicólogo visa o restabelecimento do estado de saúde do paciente ou o controle dos sintomas que comprometem seu bem-estar. Entretanto, ao ingressar em contextos hospitalares com predominância do modelo biomédico, os psicólogos enfrentam desafios significativos devido a limites institucionais que podem restringir sua prática.

 

METODOLOGIA

 

A presente pesquisa é considerada descritiva, uma vez que descreve as características de uma população ou fenômeno. De acordo com Moretti (2020), a realidade é descrita sempre de forma imparcial, com olhar científico e sem a interferência de quem está realizando o trabalho.

Trata-se de uma revisão integrativa de literatura com abordagens de autores que discursaram e publicaram sobre o tema. De acordo com Gil (2010), a pesquisa bibliográfica é elaborada com base em material já publicado visando analisar posições diversas em relação a determinado assunto.

O material a ser utilizado foi selecionado no período de janeiro a março de 2025. Foi feita uma pesquisa de artigos publicados nos bancos de dados da US National Library of Medicine National Institutes of Health (PubMed), Literatura Latino-Americana e Caribe em Ciências da Saúde (Lilacs) e Scientific Electronic Library Online (SciELO). Os descritores foram: Oncologia, Psicoterapia, Ansiedade, Depressão, Qualidade de vida (Oncology, Psychotherapy, Anxiety, Depression, Quality of life). Foram utilizados termos específicos, separadamente: oncologia e ansiedade; oncologia e depressão; oncologia e psicoterapia, oncologia e psico-oncologia e, oncologia e qualidade de vida (Oncology and anxiety; oncology and depression; oncology and psychotherapy; oncology and quality of life).  Utilizou o operador booleano E, em inglês e português para busca de acordo com as descritas em saúde.

Como critérios de inclusão foram considerados estudos disponíveis gratuitamente na íntegra no idioma português, publicados de 2019 a 2024, uma vez que a psicologia hospitalar se constitui como uma área de especialidade da Psicologia, em crescente expansão junto aos estabelecimentos de saúde públicos e privados. No ano de 2019 foi lançada a Referência Técnica CFP-MG que estabeleceu parâmetros e recomendações para a sistematização da atuação da (o) psicóloga (o) hospitalar. Esta área é de fundamental importância junto a pacientes oncológicos, seus familiares e a equipe que atua em hospitais. Como critérios de exclusão foram desconsiderados artigos que não atenderam aos objetivos do trabalho, bem como os duplicados.

Inicialmente foram encontrados 28 artigos, 09 na base de dados Pubmed e 08 na Lilacs e 11 na Scielo. Segundo os critérios de inclusão e exclusão, utilizaram-se dez estudos que atenderam aos objetivos propostos, conforme exposto na Figura 1.

 

Figura 01: Fluxograma com demonstrativo de busca dos estudos nas bases de dados, segundo os critérios de inclusão e exclusão delineados na metodologia.  

Caixa de Texto: identificação

Caixa de Texto: Triagem 

Caixa de Texto: Elegibilidade   

Caixa de Texto: Incluídos  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: As autoras (2025).

Conforme apresentado na Figura 1, a busca inicial resultou em 28 artigos, sendo 11 na base SciELO, 08 na Lilacs e 09 na PubMed. Após a remoção de estudos duplicados, e considerando os critérios de inclusão, permaneceram 19 artigos para a etapa de triagem. Todos os artigos tiveram seus títulos e resumos analisados, sendo excluídos 7 estudos por não atenderem aos objetivos da pesquisa, especialmente por não abordarem de forma direta a relação entre oncologia, ansiedade, depressão, psicoterapia e qualidade de vida.

Dessa forma, 12 artigos foram selecionados para leitura na íntegra, compondo a etapa de elegibilidade. Após a análise completa desses estudos, 3 foram excluídos por não apresentarem alinhamento consistente com a temática proposta, seja por abordarem o tema de forma superficial ou por não contemplarem os aspectos psicológicos centrais deste estudo.

Ao final do processo, 09 artigos atenderam integralmente aos critérios estabelecidos e foram incluídos na análise qualitativa, garantindo maior rigor metodológico e pertinência científica à pesquisa.

Para avaliar as publicações selecionadas utilizou-se o Microsoft Excel. Este instrumento contemplou os seguintes itens: autor e ano da publicação, objetivos, metodologia e os principais resultados. Essas informações foram organizadas em um quadro para a síntese das informações dos periódicos e discussão das categorias de conteúdo.

Para interpretação das discussões encontradas foi utilizada a análise de conteúdo proposta por Bardin (2011).

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Tendo em vista a metodologia proposta foi possível encontrar os artigos descritos no Quadro 1 a seguir.

Quadro 1: Demonstrativo das Referências Pesquisadas

Autor/Ano

Objetivo

Metodologia

MEDEIROS

(2019)

Desvelar a percepção do sentido de vida em pacientes com câncer.

Entrevista semiestruturada de caráter fenomenológica, junto com 19 pacientes com câncer, usuários do Ambulatório de Oncologia do Hospital Universitário Antônio Pedro (HUAP), de Niterói, RJ

PIRES

et al.

(2019)

Analisar a percepção de pessoas com doença oncológica, em um hospital de grande porte de Salvador-Bahia, acerca da inserção do psicólogo nas equipes interprofissionais e as repercussões de suas funções na produção de cuidado

Estudo de campo com abordagem qualitativa exploratória

LADEIRA;

GRINCENKOV (2020)

Avaliar ansiedade, depressão e qualidade de vida (QV) em pacientes com câncer avançado e os respectivos cuidadores, investigando a associação entre esses fatores

Questionário sociodemográfico e clínico

BEZERRA; SIQUEIRA

(2021)

Analisar como o processo de adoecimento e hospitalização é vivenciado por pacientes internados na clínica médica, sendo esta um dos primeiros cenários de prática do referido programa de residência

Entrevista semiestruturada e contou-se com a participação voluntária de cinco pacientes, os quais tiveram seus discursos gravados e analisados através da análise de conteúdo de Bardin

CAMPOS; RODRIGUES; CASTANHO

(2021)

Divulgar a Psico-Oncologia como uma área de conhecimento que ampliou as possibilidades de atendimento ao portador de câncer seu familiar e equipe de saúde

Artigo de revisão narrativa

CORDEIRO; SANTOS; ORLANDI

(2021)

Verificar a relação entre qualidade de vida relacionada à saúde e sintomas ansiosos e depressivos de pacientes oncológicos em quimioterapia e seus familiares

Estudo correlacional, transversal, quantitativo 130 pacientes e 130 familiares. Aplicaram-se os instrumentos caracterização sociodemográfica e clínica

GALVÃO; CALHEIROS

CRISPIM

(2021)

Verificar associações entre as variáveis sociodemográficas e clínicas, sintomas de depressão, ansiedade e estresse, e sua relação com a qualidade de vida em pacientes com câncer

Questionário sociodemográfico e clínico, a Escala de Depressão, Ansiedade e Estresse (DASS-21) e a Escala de Qualidade de Vida (EORTC-QLQ C30) com 202 pessoas atendidas em instituto para tratamento oncológico na cidade de Porto Velho, Rondônia

MACHADO

et al.

(2024)

Identificar sintomas de ansiedade e depressão em pacientes com câncer e associação com os aspectos clínicos e adesão ao tratamento oncológico

Estudo transversal, com amostra de conveniência, realizado entre setembro de 2020 e maio de 2021, incluindo pacientes com diagnóstico de câncer de todas as regiões do Brasil

MELLO

et al.

(2024)

Avaliar a prevalência de depressão, ansiedade, dor e seu impacto na qualidade de vida de pacientes oncológicos em cuidados paliativos

Estudo clínico prospectivo com 70 pacientes com câncer em cuidados paliativos atendidos no setor de oncologia de um hospital de Minas Gerais

Fonte: As autoras (2025).

Todos os estudos analisados apontaram a relevância da atuação da psicologia hospitalar no cuidado integral de pacientes oncológicos no enfrentamento do sofrimento emocional provocado pela doença e pelo processo de hospitalização e no cuidado com seus familiares que passam por momentos de desestruturação, precisando de apoio e orientação nas diferentes fases da doença.

Os artigos analisados foram realizados diretamente com pacientes oncológicos que apresentavam sintomas de ansiedade e depressão durante o tratamento, ou com suas famílias. Esses estudos desenvolveram-se por meio de entrevistas semiestruturadas; questionários; estudos transversais e estudo clínico prospectivo, avaliando os impactos de intervenções da psicologia desenvolvidas e destacando que pacientes oncológicos e seus familiares enfrentam a ansiedade e depressão no diagnóstico, durante o tratamento e em fases avançadas da doença.

A análise dos estudos incluídos nesta revisão evidenciou que os achados convergem, de forma consistente, com a literatura já consolidada acerca dos impactos psicológicos do adoecimento oncológico. De modo geral, os estudos apontam para uma elevada prevalência de sintomas de ansiedade, depressão e prejuízos na qualidade de vida de pacientes com câncer, especialmente durante o processo de diagnóstico e tratamento.

Para a apresentação dos conteúdos emergentes nos artigos os resultados foram divididos em: manifestação de sintomas depressivos e ansiosos, contribuições da psicologia hospitalar e intervenções a serem desenvolvidas.

 

Manifestação de sintomas depressivos e ansiosos

 

O câncer, além dos efeitos fisiológicos, traz deformidades, mutilações e dor. Isso provoca grande impacto psicológico e sentimentos como raiva, medo, ansiedade e angústias. Entende-se que a doença acarreta mudanças físicas e fisiológicas que são experimentadas nos níveis sociais, emocionais, culturais e espirituais (Pires et al., 2019).

Estudos como o de Machado et al. (2024) destacaram que pacientes oncológicos com sintomas de ansiedade e depressão podem apresentar maior resistência para a adesão ao tratamento oncológico. Os autores explicaram que a ansiedade está associada ao sintoma de fadiga resultante do tratamento e a depressão relaciona-se com o tempo de diagnóstico do câncer, a astenia e o local de tratamento. Além disso, esse estudo apontou a necessidade de serviços de apoio psicossocial destinados aos pacientes, possibilitando espaços necessários para a redução de sintomas de ansiedade e depressão, contribuindo com a qualidade de vida dos pacientes

Nessa mesma linha, Medeiros (2019) pontua que em pacientes com câncer, a angústia pode se manifestar em diversas formas, incluindo sintomas de depressão, perda do bem-estar espiritual, angústia existencial e desejo de uma morte próxima. Segundo o autor, os sentimentos negativos, a frustração, e a sensação de uma vida sem perspectiva são comuns em quem não consegue se distanciar da situação de sofrimento. Nesse cenário, o cuidado do paciente com câncer deve ser integral, envolvendo a compreensão desse homem, com necessidades e desejos, exigindo uma série de processos adaptativos em toda sua complexidade dimensional. Isso corrobora a importância do psicólogo hospitalar no acompanhamento do tratamento de pacientes oncológicos.

Estudos como o de Galvão, Calheiros e Crispim (2021) também apontaram a alta prevalência de depressão, ansiedade e estresse nos pacientes oncológicos, fatores que podem acarretar complicações no estado de saúde dos pacientes, sendo necessária a inserção da saúde emocional no planejamento dos cuidados dispensados a essa população para respostas mais efetivas.

Pires et al. (2019) afirmaram que o diagnóstico de câncer traz consequências negativas tanto para o sujeito adoecido como para a família que passam a considerar a doença oncológica como uma possibilidade de mutilação e morte, com uma sobrecarga emocional que pode levar a distúrbios emocionais como a depressão ou transtornos da ansiedade.

 

Contribuições da psicologia hospitalar

 

Conforme Bezerra e Siqueira (2021), o medo e a ansiedade estão relacionados à preocupação com resultados de exames, diagnósticos e o desejo por alta hospitalar, por isso, o acompanhamento psicológico no período de hospitalização, contribui para minimização de alguns sintomas. Já o estudo de Mello et al. (2024) apontou a dor como parâmetro que teve influência na piora da qualidade de vida e no aumento da prevalência de ansiedade e depressão, mostrando assim a importância de considerar a dor ao estabelecer o tratamento do paciente.

Existe relação entre a percepção da qualidade de vida relacionada à saúde e presença de sintomas depressivos e ansiosos em pacientes e familiares. Neste contexto, o estudo de Campos, Rodrigues e Castanho (2021) divulgou a psico-oncologia como uma área de conhecimento que ampliou as possibilidades de atendimento ao paciente diagnosticado com câncer, aos familiares e às equipes de saúde. Para os autores, a psico-oncologia enfatiza os fatores biopsicossociais no atendimento a esse tipo de paciente, buscando compreender os processos de adoecimento, o desenvolvimento da patologia e suas implicações na vida familiar dos pacientes.

O trabalho de Ladeira e Grincenkov (2020) também destacou a importância da atuação da Psicologia junto aos pacientes com câncer e os respectivos familiares cuidadores. As autoras destacaram a necessidade de implementação de estratégias efetivas para assegurar níveis satisfatórios de saúde mental de todos os envolvidos e sugeriram um adequado manejo dos sintomas ansiosos e depressivos, bem como estratégias para a diminuição da sobrecarga do cuidador.

Machado et al. (2024) destacam a necessidade de incorporar serviços de apoio psicossocial na rede de atenção oncológica, bem como a implementação de intervenções acessíveis e de fácil aplicação, e que podem contribuir para a redução dos sintomas de ansiedade em pacientes oncológicos, como orientações psicológicas breves, escuta qualificada e suporte emocional.

Mais além, Bezerra e Siqueira (2021) compreendem que não só o trabalho do psicólogo é relevante, mas o de toda a equipe da qual ele faz parte. A atuação em equipe deve ser interprofissional e articulada, ampliando, assim, as possibilidades de intervenção no tratamento dos pacientes.

Nessa mesma linha, Pires et al. (2019) reconheceram a importância da psicologia hospitalar e do psicólogo como um membro da equipe multidisciplinar, mas alguns usuários entrevistados ainda possuíam dificuldades em diferenciar o psicólogo dos outros profissionais da equipe. Mesmo assim o estudo destacou a importância do psicólogo no auxílio para minimizar o sofrimento atrelado ao adoecimento e a prevenção de possíveis agravos emocionais.

 

Intervenções a serem desenvolvidas

 

Diante dos conteúdos emergentes, o estudo de Campos, Rodrigues e Castanho (2021) destacou que o atendimento ao paciente com diagnóstico de câncer, deve contar com técnicas integrativas, reconstrutivas e de suporte. Essas técnicas devem ser psicopedagógicas, de esclarecimento, aconselhamento e de acolhimento, uma vez que o paciente passa por uma perda de suas certezas e referenciais existenciais, manifestando sentimentos de medo, ansiedade, tristeza e culpa. Sugerem, portanto, uma intervenção marcada pela postura compreensiva e acolhedora, buscando os mecanismos defensivos e de coping (respostas neuroendócrinas que ocorrem no indivíduo estressado, com o objetivo de restabelecer o equilíbrio do organismo), por parte do paciente, protegendo-o de experiências emocionais negativas.

Ladeira e Grincenkov (2020) também apontaram a necessidade do treinamento de habilidades, as intervenções psicopedagógicas e o aconselhamento terapêutico como intervenções a serem desenvolvidas com pacientes oncológicos, seus familiares e cuidadores. Isso colabora com o estudo de Pires et al. (2019), que destaca que a utilização das tecnologias leves, como a escuta, acolhimento e vinculação, por parte dos psicólogos, que confronta a predominância das tecnologias duras utilizadas por outros profissionais de saúde.

Associando com estudo internacional de Chen et al. (2024) que aponta diferentes intervenções psicoterapêuticas podem contribuir para a redução de sintomas emocionais em pacientes com câncer gastrointestinal. Entre as estratégias identificadas destacam-se a terapia cognitivo-comportamental (abordagem psicoterapêutica baseada na relação entre pensamentos, emoções e comportamentos), a terapia de relaxamento (conjunto de práticas voltadas à redução da tensão física e psicológica) e a terapia de reminiscência (técnica que estimula a evocação de memórias autobiográficas). Os resultados da meta-análise indicaram que essas intervenções apresentaram efeitos superiores aos cuidados de enfermagem convencionais na redução dos níveis de ansiedade e depressão nesses pacientes.

Por outro lado, compreende-se que para o tratamento adequado de pacientes oncológicos, a avaliação psicológica é fundamental. Machado et al. (2024) utilizaram instrumentos padronizados para mensuração de sintomas de ansiedade e depressão, bem como para avaliação da adesão ao tratamento oncológico. No estudo, foram aplicadas escalas específicas e realizada análise de regressão logística multivariada, a fim de identificar associações entre variáveis clínicas, adesão ao tratamento e sintomas psicológicos em pacientes com câncer.

 

CONCLUSÕES

 

O presente estudo teve como objetivo descrever o que pesquisas nacionais tem produzido sobre a qualidade de vida de pacientes adultos oncológicos que sofrem de ansiedade e depressão, por meio da investigação do papel do psicólogo no tratamento e na promoção da qualidade de vida de pacientes adultos oncológicos que sofrem de ansiedade e depressão, identificou-se o sofrimento psíquico dos pacientes frente à hospitalização, discutindo a importância da psicologia hospitalar no acompanhamento de pacientes oncológicos.

Constatou-se que pacientes adultos oncológicos, quando hospitalizados, podem desenvolver ansiedade e depressão devido ao medo, à preocupação com resultados de exames, diagnósticos e o desejo por alta hospitalar, diminuindo, assim, sua qualidade de vida. Reconheceu-se, portanto, o relevante papel do psicólogo diante dos desafios enfrentados pelos pacientes.

Os trabalhos analisados apontaram que a presença do psicólogo após o diagnóstico e durante o tratamento contribui significativamente para o acolhimento do sofrimento emocional, para a escuta das angústias e para o fortalecimento da autonomia e do sentido da vida dos pacientes. Como intervenções a serem desenvolvidas o estudo apontou as técnicas de observação, escuta, aconselhamento e psicoterapia breve sobre os efeitos do adoecimento e tratamento. Estas devem ser desenvolvidas com pacientes, seus familiares e com a equipe multiprofissional dos hospitais para promoção da qualidade de vida dos pacientes.

Concluiu-se que a prática do psicólogo, no ambiente hospitalar, deve proporcionar escuta do paciente em suas dimensões física, psíquica e social com foco no sujeito e não em sua patologia. Diante da necessidade de acompanhamento psicológico pós-alta, faz-se necessário o adequado encaminhamento para a Rede de Atenção à Saúde ou Rede Privada.

 Reconheceu-se a relevância deste estudo, uma vez que ele pode servir de orientação para a comunidade científica, de referencial para futuros trabalhos acadêmicos e de embasamento teórico para profissionais de saúde que atuam diretamente com pacientes oncológicos hospitalizados.

Observa-se que os conteúdos emergentes convergem entre si e com o referencial teórico adotado, no entanto, alguns estudos apresentam caráter mais descritivo, indicando a necessidade de maior aprofundamento em pesquisas que investiguem intervenções psicológicas específicas e seus efeitos a longo prazo na qualidade de vida de pacientes oncológicos. Os achados desta revisão reforçam que a atenção à saúde mental é um componente essencial no cuidado ao paciente com câncer, sendo indispensável a atuação do psicólogo hospitalar na promoção do bem-estar, no enfrentamento do adoecimento e na melhoria da qualidade de vida.

Sugerem-se novos estudos sobre intervenções que possam diminuir os prejuízos trazidos pelos transtornos psicológicos de pacientes e seus familiares e viabilizar estratégias que assegurem a qualidade de vida dos mesmos durante todas as fases da doença.

O estudo apresenta limitações dentre elas, destaca-se que a busca foi realizada em apenas três bases de dados, o que pode ter ocasionado a não inclusão de estudos relevantes indexados em outras bases. Outro aspecto refere-se ao recorte temporal adotado (2019 a 2024), que, embora justificado pela atualização da área, pode ter excluído produções importantes anteriores.  A proposta de inclusão de pesquisas internacionais, pode contribuir para aprofundar a compreensão sobre a atuação do psicólogo no contexto oncológico e suas contribuições para a qualidade de vida dos pacientes.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

ANDRADE, G. O. V. O psicólogo hospitalar junto ao paciente oncológico e seus familiares. Ciências da Saúde, Ciências Humanas, Edição 121. 2023. Disponível em < https://revistaft.com.br/o-psicologo-hospitalar-junto-ao-paciente-oncologico-e-seus-familiares/>. Acesso em 2 abri 2024.

 

ANGERAMI, V. A. E a psicologia entrou no hospital. Editora Artesão. 2017.

 

BARDIN, Laurence. Análise de conteúdo. São Paulo: Edições, 2011.

 

BEZERRA, D. S.; SIQUEIRA, A.C. Processo de adoecimento e hospitalização em pacientes de um hospital público. Revista de Psicologia, Fortaleza, v.12 n1, p. 61-71. 2021. Disponível em < https://docs.bvsalud.org/biblioref/2021/04/1178957/pro

cesso-de-adoecimento-e-hospitalizacao.pdf>. Acesso em 22 abri 2024.

 

CAMPOS, Elisa Maria Parahyba; RODRIGUES, Avelino Luiz; CASTANHO, Pablo . Intervenções Psicológicas na Psico-Oncologia. Mudanças, v. 29, n. 1, p. 41-47. 2021. Disponível em <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext

&pid=S0104-32692021000100005>. Acesso em 31 mar 2024.

 

CHEN, Jianwen; LIU, Li; WANG, Yalan; QIN, Huiying; LIU, Chengjiang. Effects of psychotherapy interventions on anxiety and depression in patients with gastrointestinal cancer: A systematic review and network meta-analysis. Psychosom Res. 2024. Disponível em < https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38394712/>. Acesso em 25 mai 2025.

 

CID-11. Para Estatísticas de Mortalidade e de Morbidade. 2024. Disponível em < https://icd.who.int/browse/2024-01/mms/pt#1563440232>. Acesso em 10 mar 2025.

 

CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA. Resolução CFP nº 02/01. Altera e regulamenta a Resolução CFP no 014/00 que institui o título profissional de

especialista em psicologia e o respectivo registro nos Conselhos Regionais. 2001. Disponível em < https://site.cfp.org.br/wp-content/uploads/2006/01/resoluca

o2001_2.pdf>. Acesso em 20 mar 2024.

 

CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA – CFP. Referências Técnicas para Atuação de Psicólogas(os) nos Serviços hospitalares do SUS. 2019. Disponível em < https://site.cfp.org.br/wp-content/uploads/2019/11/ServHosp_web1.pdf>. Acesso em 24 mar 2024.

 

CORDEIRO, L. M.; SANTOS, D. G.; ORLANDI, F. S. Qualidade de vida, ansiedade e depressão em pacientes oncológicos em quimioterapia e familiares. Enferm Foco, v. 12, n. 3, p. 489-495. 2021. Disponível em http://revista.cofen.gov.br/index.php/enf

ermagem/article/view/3801/1192. Acesso em 5 jun 2025.

 

GALVÃO, Elis Monique de Vasconcelos; CALHEIROS, Paulo Renato Vitória; CRISPIM, Pedro di Tarique Barreto.  Ansiedade, Depressão, Estresse e sua Relação com a Qualidade e Vida de Pacientes com Câncer na Região Norte do Brasil. Contextos Clínicos, v. 14, n. 1, jan./abr. 2021. Disponível em < http://pepsic.bvsa

lud.org/pdf/cclin/v14n1/v14n1a07.pdf>. Acesso em 14 abri 2025.

 

GIL, Antonio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 5ª. ed. São Paulo: Atlas. 2010.

 

INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER – INCA. Câncer no Brasil: dados dos registros de câncer de base populacional. 2016. Disponível em < https://www.inca.gov.br/publicacoes/livros/cancer-no-brasil-dados-dos-registros-de-base-populacional>. Acesso em 30 mar 2024.

 

INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER – INCA. INCA estima 704 mil casos de câncer por ano no Brasil até 2025. 2022. Disponível em < https://www.gov.

br/inca/pt-br/canais-de-atendimento/imprensa/releases/2022/inca-estima-704-mil-casos-de-cancer-por-ano-no-brasil-ate-2025>. Acesso em 7 jun 2024.

 

LADEIRA, Tatiane; GRINCENKOV, Fabiane. Relação entre a saúde mental de pacientes com câncer avançado em quimioterapia paliativa e seus familiares cuidadores. CES Psicol, v.13, n..2 2020. Disponívem em < http://scielo.org.

co/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2011-30802020000200001>. Acesso em 25 mai 2025.

 

LIMA, Rosangela Ferreira de. A função do psicólogo no contexto hospitalar. Trabalho de Conclusão de Curso. Faculdade Pernambucana de Saúde. Recife, Pernambuco. 2019.

 

MACHADO, Lara Cândida de Sousa; GUIMARÃES, Isadora Maria de Oliveira; LEÃO, Lívia Caetano da Silva; SILVA, Gilson Gonçalves; CAMARGO JÚNIOR, Elton Brás. Ansiedade e depressão em pacientes com câncer: associação com aspectos clínicos e adesão ao tratamento oncológico. Cogitare Enferm. 2024, v. 29. 2024. Disponível em < https://www.scielo.br/j/cenf/a/DrpPbqZkRw8HBwz3wdQWvGx/>. Acesso em 5 mai 2025.

 

MEDEIROS, Angelica Yolanda Bueno Bejarano Vale de. A percepção do sentido da vida para o paciente com câncer: um olhar logoterapêutico. Trabalho de Conclusão de Curso. UNIVERSIDADE Federal Fluminense. Niterói, Rio de Janeiro. 2019, 142f. Disponível em < https://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/biblio-1015604>. Acesso em 5 mai 2025. 

 

MELLO, F.; PEREIRA, A.; POSSAS, E. J.; DIAS, L. C.; PUJATTI, P. B.; NOGUEIRA, M. A.; GONTIJO, G. Dor, depressão, ansiedade e qualidade de vida de pacientes oncológicos em cuidados paliativos. Revista de Ciências da Saúde Básica e Aplicada, v. 7, n.1, p. 19–34. 2024. Disponível em < https://revistacientifica.fu

njob.edu.br/index.php/rcsba/article/view/9>. Acesso em 5 jun 2025.

 

MORETTI, Isabella. Pesquisa descritiva no TCC: o que é, características e exemplos. 2020. Dsisponível em https://regrasparatcc.com.br/pesquisa-descritiva/. Acesso em 7 junho 2024.

 

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE – OMS. Relatório da OMS sobre o câncer: definir prioridades, investir sabiamente e prestar cuidados a todos. Genebra. 2020. Disponível em https://www.who.int/publications/i/item/who-report-on-cancer-setting-priorities-investing-wisely-and-providing-care-for-all>. Acesso em 30 mar 2024.

 

PIRES, R. A.; SOUZA, I. C. D. S.; PEREIRA, J. M.; LIMA, R. S. G. S.; QUINTANA, R.; SOUZA, M. C. D. A Psicologia no contexto de produção do cuidado segundo a percepção de pessoas com doença oncológica. Revista da SBPH, v. 22, n.1, p. 328-348. 2019. Disponível em < http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_

arttext&pid=S1516-08582019000100017>. Acesso em 5 jun 2024.

 

QUEIROZ, L. L. G.; AZEVEDO, A. P. B.; CHERER, E. Q.; CHATELARD, D. S. A psicologia na maternidade hospitalar: um relato de experiência. Fractal, Rev. Psicol, v.32, n. 1. 2020.  Disponível em < https://www.scielo.br/j/fractal/a/sYQKkhsg

m8XCZcjmFVNLmmD/#>. Acesso em 5 jun 2024.

 

RIBEIRO, C. G. S. A atuação do psicólogo no contexto hospitalar. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 03, Ed. 10, vol. 08, p. 80-87. 2018.

 

SANTOS, André Antonio de Oliveira; OLIVEIRA, Cibelle Araújo e; FERREIRA, Clara Mariane Araújo; SANTOS, Ana Paula de Oliveira; MORAIS, Edna Pereira Gomes de; SILVA, Luciano Bairros da. Psicoterapia em cuidados paliativos com pacientes oncológicos terminais: uma revisão integrativa. Rev. SBPH, v. 24, n. 2 São Paulo jul./dez. 2021. Disponível em < http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext

&pid=S1516-08582021000200009>. Acesso em 29 mar 2024.

 

SASSANI, Leila Marieli; SANCHES, Drielle. Contribuições do profissional de psicologia para o paciente em cuidados paliativos. Arq. ciências saúde UNIPAR; 26(3): 705-724, set-dez. 2022. Disponível em <https://pesquisa.bvsalud.org/bvs

ms/resource/pt/biblio-1399329>. Acesso em 29 mar 2024.

 

SIMONETTI, Alfredo. Manual de psicologia hospitalar: o mapa da doença. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2004.

SOARES, Filipe. Qualidade de Vida, Ansiedade e Depressão em Pacientes Oncológicos em Quimioterapia e Familiares. COFEN. 2022. Disponível em < https://biblioteca.cofen.gov.br/qualidade-vida-ansiedade-depressao-pacientes-oncologicos-quimioterapia-familiares/#:~:text=Verifica%20a%20rela%C3%A7%C3%

A3o%20entre%20qualidade%20de%20vida%20relacionada,de%20idade%29%20entre%20a%20maior%20parte%20dos%20pa%C3%ADses. >. Acesso em 12 abri 2022.

.

 

 


                                                                                                                      

                                                                                                                                     



Declaração de Interesse
Os autores declaram não haver nenhum conflito de interesse.

 

Financiamento

Financiamento próprio.

 

 

 

 

 

 

Colaboração entre autores

O presente artigo foi escrito Ana Flávia e Marcela projetado e   concluído   no Trabalho de Conclusão de Curso do curso    de    Psicologia    da    Faculdade Dinâmica    do    Vale    do Piranga (FADIP). Ambos os autores foram responsáveis pela redação da parte dissertativa do artigo.